Projeto Reviver

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São Luís - MA

sexta-feira, 8 de abril de 2016

UM POUCO DE HISTÓRIA...

   Iaii galeera.
   Hoje eu to aqui pra contar um pouco a história dessa cidade maravilhosa, nossa bela São Luís. Tem muita coisa legal nessa história e o mais interessante é que até hoje é possível ver muitos traços dos nossos colonizadores na arquitetura e cultura da cidade.
   Eu tentei resumir ao máximo para o post não ficar muito longo, mas como eu quero passar para vocês direitinho como tudo aconteceu, não pude deixar muita coisa de fora.
   Sem mais delongas...vamos começar.     
   A história de São Luís tem início um pouco antes do descobrimento do nosso Brasil. Em meados do século XV, piratas nórdicos, genoveses, franceses, holandeses e portugueses já frequentavam as costas da ilha, fazendo troca de mercadorias regularmente com os índios da região. Eles vinham em busca das drogas do sertão (raízes, folhas, cascas e especiarias) extraídas da mata, utilizadas como remédios e que ajudavam a conservar e temperar os alimentos. Eram produtos de alto apreço e de grande procura na Europa e são comercializados ainda hoje.


                                            
    Índios e colonizadores; Daniel de La Touche

   A fundação oficial da cidade se deu em 8 de setembro de 1612, quando o francês Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiére por lá aportou. Seu nome foi inspirado no rei da França, Luís XIII. O sítio escolhido coincide com o centro administrativo da cidade onde hoje se situam as sedes dos governos Estaduais e Municipais, o Palácio Episcopal e o Tribunal de Justiça (vou falar de cada um deles separadamente). Nesta colina cercada por dois rios profundos, o Anil e o Bacanga, estrategicamente os franceses procuravam um lugar que se pudesse defender. Para os franceses, a ilha se mostrava ideal para a fundação de uma ambicionada colônia e de uma segura rota marítima para a Europa. Uma França Equinocial seria iniciada em uma ilha paradisíaca, com extensas faixas de praias e dunas, farta vegetação e recortada por inúmeros rios e igarapés, o que garantia abundancia de água e provisão de alimentos.


Praça Dom Pedro II antigamente e atualmente

   O sonho Francês teve fim logo após a ocupação, quando os portugueses avançaram sobre o forte e conquistaram a ilha. Em 1641, São Luís foi invadida pelos holandeses que por lá ficaram durante mais 3 anos. E em 1644, após batalhas e vitórias, Portugal garantiu definitivamente a posse da cidade.
   Estima-se que no fim do século XVII tenha surgido o conjunto urbanístico de caráter civil que compõe o Centro Histórico da capital maranhense e se constitui em um dos mais representativos e ricos exemplares do traçado urbano e da tipologia arquitetônica produzidos pela colonização portuguesa. Projetada pelo engenheiro militar português Francisco Frias de Mesquita, São Luís foi construída em traços regulares o que ainda hoje se faz presente na forma da cidade. A São Luís da época mostra a grande influencia renascentista em sua malha reticulada. Ruas retas, quarteirões quadrados e lotes uniformes.
   Sempre mantendo uma relação muito estreita com o mar, o planejamento de São Luís não dispensou sua preocupação com novas invasões. A atual ponta da areia se configurou em uma estratégica localização para defesa e proteção da cidade, desde o século XVII quando foi construído o Forte de Santo Antônio da Barra e o Forte de São Marcos, no fim do século XVIII.
   Data desta época o período de maior urbanização da cidade, estimulado pelas exportações de algodão e açúcar e sob influência do estilo pombalino, do Marques de Pombal, inspirada na reconstrução de Lisboa destruída por um terremoto em 1755.


Centro histórico antigamente

Centro histórico atualmente



     A dependência econômica e política à Lisboa submetia São Luís ao modelo português. Surgiu nesse período o bairro da Praia Grande, na primeira região portuária da cidade, o que estabeleceu o início do desenvolvimento comercial da região com a construção de aterros, pavimentação de ruas e do cais da sagração. A Praia Grande era o coração comercial da cidade e da província com armazéns, lojas e residências dos grandes comerciantes portugueses que exportavam algodão e importavam tudo que a Europa produzia.
   Nas inúmeras construções no que hoje é reconhecido como o maior conjunto de arquitetura urbana civil de origem portuguesa da América Latina, pode-se deparar em São Luis com réplicas facilmente encontradas em Lisboa e na Cidade do Porto. O ritmo das janelas, os balcões trabalhados em serralheria, as portas com bandeiras de ferro e a forte presença de azulejos, identificam os valores patrimoniais do acervo da arquitetura tradicional lusitana. Em cima dos casarões os mirantes surgiram como uma característica própria às condições climáticas da ilha, quentes e úmidas, sujeitas à chuvas muito fortes.
   Nas fachadas sem azulejo o colorido natural dos tons fortes e quentes com predominância do ocre, amarelo e vermelho, das portas e dos telhados de barro, torna-se uma mistura provocante, um colorido exuberante e que produz uma policromia atraente na vista aérea da cidade.
   São Luis possui um conjunto arquitetônico e urbanístico com mais de 5 mil imóveis históricos, com destaque para a arquitetura colonial. Esse conjunto acha-se assentado em um sítio de 220 hectares com o traçado de 350 anos quase inalterado. O traçado urbano no qual esta inserido esta arquitetura foi reconhecido e a cidade ganhou um novo status, uma nova identidade, que vem sendo defendida e preservada. São Luís, Cidade Colonial.
   A manutenção desse traçado foi um dos fatores preponderantes para que São Luís recebesse em 1997 o título de Cidade Patrimônio da Humanidade. São Luís entrou para a história do descobrimento do Brasil como a única capital que não foi fundada por portugueses, mas se transformou na capital mais lusitana do Brasil.

Centro histórico de São Luís

   A São Luís republicana tentou se fazer industrial investindo em fábrica e infra-estrutura urbana. O Parque Fabril instalado na cidade que havia feito do Maranhão o segundo estado mais industrializado do país, não teria resistido ao endividamento. Hoje a maioria de suas fábricas podem ser encontradas em estado de ruínas ou transformadas em escolas e centros de venda de artesanato.
   Uma cidade em uma ilha. Uma ilha que apresenta uma paisagem cultural composta de elementos naturais e de costumes trazidos por levas de imigrantes que por lá aportaram. Valores miscigenados por brancos europeus, negros africanos, árabes e gentios da terra, traduzidos pela beleza artesã, pela rica culinária e pelas manifestações folclóricas literárias. Uma harmoniosa herança cultural, legados de uma geração de intelectuais em que se destacaram românticos poetas, humanistas, escritores, filólogos, historiadores e jornalistas. Homens de letras e pensamentos que contribuíram para o culto de uma sociedade instruída e que renderam a São Luís mais um codinome, Atenas Brasileira.

Vista aérea da cidade de São Luís

   Essa foi a história da cidade, mas não para por aqui não. Ainda tem mais coisas por vir. No próximo post eu vou falar da religião e cultura que tem muita influência dos colonizadores. E o melhor, das lendas sombrias de São Luís...rsrs.
   Eu vou ficando por aqui. Curtam, compartilhem e me sigam também nas redes sociais para não perder nenhum post.

   Obrigadaaa! =*

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