Projeto Reviver

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São Luís - MA

terça-feira, 19 de abril de 2016

É HORA DE BRINCAR DE BUMBA-MEU-BOI E TAMBOR DE CRIOULA

   Oiee gente.
   Hoje, em mais um post eu quero chamar vocês para brincar de Bumba-meu-boi e Tambor de Crioula, tradições que surgiram no século XVIII e ainda hoje envolve a população de São Luís.
   As festas juninas em São Luís tem um caráter de celebração muito particular em relação ao resto do país e São João é o santo inspirador dessas festas, que marcam uma ecumênica influência cultural dos colonizadores e colonizados.
   São muitos os sotaques...Bumba-meu-boi, Tambor de Crioula, Cacuriá, Dança do Côco. E no meio de tanta diversificação, o bumba-meu-boi se diferencia como uma composição dramática que o aproxima dos altos medievais. Tem drama, música, enredo, personagens alegóricos e diálogos. De longe o bumba-meu-boi é a manifestação cultural mais importante de São Luís.





    As festas acontecem principalmente entre os meses de junho e julho, mas há muitos eventos fora de época que ocorrem durante todo o ano. Durante as festividades, o bumba-meu-boi ocupa todas as partes da cidade, da periferia aos shoppings, e grupos de todo o estado se reúnem, dançando e cantando noite adentro.
   Durante as apresentações, o Bumba-meu-boi conta em um animado e hilariante teatro de rua a história de Pai Francisco e sua mulher Catirina, empregados de uma grande fazenda. Catirina, grávida e desejando comer língua de boi, induz o marido a matar mimoso, o gado de estimação do senhor da fazenda. Sabendo do furto, o senhor ordena que vaqueiros e índios descubram toda a verdade, e assim o autor do crime é capturado. Depois de muita confusão, são convocados curandeiros e pajés que através de magia ressuscitam mimoso. O gado volta à vida e a comunidade festeja entoando cânticos de louvor e danças em volta do animal. Francisco então é perdoado.
   A variedade de ritmos ou sotaques (uma forma própria de se expressar através das vestimentas, da coreografia, dos instrumentos escolhidos e da cadência da música) é um dos grandes charmes do Bumba-meu-boi. No sotaque de São Luís, a base instrumental são as matracas, pedaços de madeira e, tambores de grande diâmetro, os pandeirões. Confeccionados em madeira e couro, os pandeirões são afinados à fogo o que tornam indispensáveis as tradicionais fogueiras que animam as festas. O envolvimento dos brincantes é quase religioso. Entidades espirituais e devotos do Tambor de Mina gostam do Bumba-meu-boi. Os cantadores de boi pedem a proteção dos encantados para o sucesso das apresentações e a maioria dos brincantes participam do boi em cumprimento a promessas realizadas.
  


   Ambos se misturam para a criação de uma nova brincadeira, o Tambor de Crioula. A tradição vem dos descendentes africanos. O Tambor de Crioula é mais uma manifestação tipicamente maranhense. Divertido e contagiante, pode ser visto em qualquer época do ano em São Luís. A temporada dos festejos juninos também é uma das mais propícias para se apropriar a brincadeira. O batuque é executado por homens que entoam canções em homenagem a santos católicos, desfiam casos de amor e provocam outros cantadores, enquanto as mulheres dançam em círculo fazendo girar suas saias coloridas e rodadas. O ritmo é marcado por 3 tambores improvisados ou conhecidos. Cada tambor tem uma função bem definida. O pequeno ou crivador faz o repicado, o médio, meião ou socador marca o ritmo, o grande ou roncador faz a marcação para a umbigada, o ponto alto da dança. É quando a dançarina deixa o centro da roda e choca a barriga com quem a substitui. É uma forma de convite para que a outra dançarina assuma a evolução no centro da roda. A umbigada representa uma passagem de energia do ventre com desejos de boa fertilidade e saúde aos descendentes umas das outras.
   No início o tambor era utilizado para comunicação, para o treinamento de capoeira e com o tempo foi adotado para festas e brincadeiras. Difundido pelas senzalas maranhenses contam que se originou com um certo Benedito, um escravo e cozinheiro que costumava roubar comida para alimentar e ajudar os negros que haviam sido castigados no tronco. Por seus feitos corajosos, driblando feitores e senhores, depois de sua morte foi transformado em santo e em padroeiro do Tambor de Crioula. Por isso em algumas vezes o tambor de crioula é usado como pagamento de promessas a São Benedito. Assim homenageiam o negro que alimentava e ajudava aqueles que precisavam.






   A magia, a beleza inebriante, o envolvimento apaixonado de quem participa diretamente dos rituais e das representações com fé em uma atmosfera quase religiosa, fazem de São Luís uma cidade única, de cultura marcante e fácil de se apaixonar.

   Fiquem agora com um vídeo muito bonito do Bumba-meu-boi e até o próximo post. Beeijos galera.

   Vídeo extraído do dvd Bumba boi de Maracanã.
   Música Maranhão meu tesouro, meu torrão (Humberto Maranhão).


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